Castlevania: Belmont's Curse entrega uma das melhores experiências do ano com um banho de nostalgia

Parece que o ano de 2026 se tornou o grande momento para o retorno de grandes franquias clássicas dos videogames. Em setembro, vimos a Capcom trazer Onimusha de volta em grande forma, mas, agora, foi a vez da Konami mostrar que os tempos sombrios estão passando e que ela quer, sim, mostrar o potencial das suas grandes franquias que ficaram um pouco esquecidas nos últimos 10 anos.
Passaram-se mais de 12 anos desde o lançamento de Castlevania: Lords of the Shadows 2, e, com o suporte da Evil Empire, estúdio responsável por Dead Cells, a Konami trouxe a série vampírica de volta de um jeito majestoso e nostálgico. Castlevania: Belmont’s Curse une nostalgia e modernidade de forma sublime e é facilmente uma das minhas experiências favoritas dos últimos anos.
De forma sucinta e criativa, a Evil Empire reproduz a fórmula dos Igavanias para a modernidade com um apelo nostálgico ao legado dos Belmont. Rose Belmont é apresentada de ótima maneira e cria uma protagonista destemida e forte em poucas horas de jogo. Com diversos finais, uma run em busca do final ruim do game pode durar menos de seis horas, enquanto se você busca o final bom ou verdadeiro, esse tempo pode passar facilmente das 12 horas.
O que mais me prendeu os olhos durante a jogatina foi como o game é dinâmico. Seja no combate, movimentação ou exploração, Castlevania: Belmont’s Curse é divertido e gostoso de se jogar graças ao seu dinamismo e fluidez. A Evil Empire é expert em títulos 2D e usa todo esse conhecimento na construção de um mapa e inimigos que sustentam uma filosofia de jogo bastante veloz e, às vezes, explosiva. Ser agressivo nesse game é um grande benefício.
Me perdi durante diversos desafios de plataforma que exigiam velocidade e precisão exatas, e o loop de tentativa e erro não me irritou ou frustrou de maneira alguma — e, na maioria das vezes, esses momentos eram seguidos de algum baú que dava alguma recompensa e gerava aquela sensação gostosa de desafio superado. Outros momentos que também transmitiam esse sentimento eram quando entrei em batalhas que me travavam naquela porção do mapa até eu superar determinados inimigos. O desafio é muito bem equilibrado e me divertiu constantemente.
Para sustentar uma movimentação e exploração incríveis, a Evil Empire também criou um combate muito sólido e diverso. Sabemos que, muitas vezes, ao longo de um Igavania, encontramos o mesmo inimigo, porém de cores diferentes. Isso se repete em Belmont’s Curse, mas sem uma sensação enjoativa graças aos arcanos e variedade de armas que Rose pode usar. Cada chefe representa uma carta de Tarot que, quando derrotados, são absorvidos para essas cartas e se transformam em poderosas magias que facilitam bastante o combate. Mas, caso você prefira sair na porrada com seus rivais, o arsenal de armas é extenso e conta com chicotes, espadas, lanças e mais, além de ter três variações para cada categoria.
As batalhas de chefe são impressionantes, cheias de efeitos e golpes estarrecedores. A minha favorita foi a de Joana d'Arc, que possui uma representação magnífica dentro do jogo e uma batalha flamejante — figurativamente e literalmente. E, como mencionado sobre os arcanos e como a cartilha dos Igavanias manda, a recompensa em derrotar chefes é prazerosa, seja pela nova magia ou por desbloquear uma nova forma de explorar o mapa e alcançar um item tão desejado.
Rose é uma personagem bem interessante e suas raízes Belmont, a presença de seu icônico pai, Trevor Belmont, apenas sustentam sua forte personalidade e coragem. Ela e seu pai vão para Paris para lutar contra um mal desconhecido que anda assolando a humanidade. Esse é o pano de fundo para uma trama muito centrada nos Belmont e em todas as raízes da família caçadora de vampiros. Todo o enredo é bastante simples, e tamanha simplicidade ainda entrega algumas reviravoltas interessantes e momentos excelentes.
Nos quesitos de jogabilidade e história — que, apesar de bem simples, é boa —, Castlevania: Belmont’s Curse brilha muito e me deixou bastante satisfeito com o que joguei, mas tem uma coisa que me incomodou bastante. Castlevania é uma franquia linda e com uma direção de arte impecável, algo que se repete no título da Evil Empire, porém por que tudo parece tão borrado? As cutscenes em animação, elementos no fundo dos mapas e alguns cenários têm texturas estranhas que me incomodaram muito devido à baixa resolução, de forma que empobrecem os belos visuais do game. Isso me incomodou durante todas as minhas horas de jogo, mas não afetou a experiência que o game me proporcionou. Leia também:Castlevania: Belmont’s Curse ganha novo trailer e detalhes de desenvolvimento durante a Triple-i Initiative Showcase 2026


