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IGN Brasil07/10/2026por Jacqueline Thomas, Allana Aristides

"Se não pode possuir, o que você está comprando?”: ex-chefe da PlayStation questiona decisão da Sony de acabar com a mídia física

"Se não pode possuir, o que você está comprando?”: ex-chefe da PlayStation questiona decisão da Sony de acabar com a mídia física
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Desde que a Sony decidiu acabar com os discos do PlayStation a partir de 2028, a reação negativa tem sido, no mínimo, acentuada. E, agora, parece que o ex-chefe da PlayStation, Shawn Layden, também está questionando a decisão da Sony.

Na semana passada, Layden foi entrevistado em um episódio do podcast The Expansion Pass, onde foi questionado sobre sua opinião a respeito da decisão da Sony de acabar com a mídia física. E, embora deixe claro que não estava presente na reunião em que a decisão foi tomada, ele inicia sua opinião dizendo: “Os jogadores são... bem, nós gostamos do download digital. As pessoas diziam: ‘Ah, baixar um jogo é mais fácil do que ir até a loja!’ Não, não, baixar um jogo é mais fácil do que atravessar minha sala para colocar um disco no console. Eu nem preciso fazer isso”.

Mas, embora os downloads digitais sempre tenham sido uma vantagem em termos de conveniência, Layden disse que ainda acredita que a decisão de eliminar completamente os discos é equivocada.

“Mas eu acho que, especialmente no mundo dos jogos, talvez 80% das pessoas façam downloads e 20% não, seja qual for essa divisão, mas esses 20% são extremamente importantes”, disse ele. “Quero dizer, esses são, em grande parte, os mais fiéis entre os fiéis; ou seja, muitas vezes, são as pessoas que compram duas cópias de cada jogo: uma nunca sai da embalagem plástica e a outra é jogada”.

Certamente há pessoas por aí que colecionam jogos lacrados para colocar em suas prateleiras, mas a questão mais importante em relação a essa medida é a questão da propriedade. No PC, já temos que conviver com essa realidade há anos, graças à proliferação do Steam e dos jogos digitais, mas, mesmo assim, pelo menos existe GOG, que, na maioria das vezes, permite baixar um jogo sem DRM, o qual você pode simplesmente arquivar em seu próprio disco.

Mas é provável que o PlayStation nunca tenha essa opção, então a questão da propriedade é enorme, e algo que Layden destaca aqui.

“Isso muda o debate de ‘você é dono de um jogo ou tem acesso a um ativo digital?’”, concluiu Layden. “Se você não pode vender algo, isso significa que não é dono de nada. Se não pode possuir, o que você está comprando? Se você está comprando acesso, isso não soa tão atraente, para ser sincero”.

Layden realmente vai direto ao cerne da questão aqui e, embora a Sony provavelmente argumentasse que você ainda estava comprando acesso a um conteúdo digital ao adquirir o disco, a perda do item físico realmente faz essa ilusão desaparecer. A partir daí, fica fácil entender por que as pessoas, ao verem a Sony retirar o acesso a filmes, imaginam que o mesmo vai acontecer com seus jogos.

Por sua vez, Layden faz essa mesma conexão, observando que “como as pessoas costumam fazer, em suas mentes, elas imaginam o pior cenário possível. E isso representa um grande golpe para a marca e um dano à reputação”. Certamente foi um grande golpe para a reputação da Sony. Só o tempo dirá, agora, se o dinheiro que a Sony economiza ao não produzir discos valerá a má vontade que gerou ao acabar com os discos.


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