“Todo mundo vai achar que estou criticando Expedition 33 agora”: desenvolvedor de Kingdom Come Deliverance, Martin Klima está “entediado e cansado” de RPGs “para adolescentes”

Martin Klima, cofundador do estúdio de Kingdom Come: Deliverance, está “entediado e cansado” de RPGs “para adolescentes”.
O desenvolvedor da Warhorse Studios compartilhou suas opiniões sobre o tipo de RPG de que menos gosta durante uma entrevista à PC Gamer. Kingdom Come: Deliverance já recebeu elogios por se afastar dos caminhos tradicionais no passado, e os comentários de Klima sugerem que isso não é por acaso.
Klima admitiu que gosta do gênero RPG. O que o desenvolvedor não gosta são os RPGs que colocam o jogador no papel de “o escolhido”, com a “grande missão de salvar o universo”. É um enredo previsível que ele está “cansado e entediado” de ver, chamando esse tipo de experiência de “repetitiva”.
“É realmente uma síntese do que é um RPG comum”, disse Klima. “Então, percebi que deve haver muitas, muitas pessoas que estão realmente cansadas dessa fórmula e que querem algo novo e diferente.
“Os jogos que foram criados e que, de certa forma, ainda estão sendo criados continuam sendo voltados para adolescentes. Se você tem 16, 17 anos, adora jogar esses jogos de fantasia de poder porque é algo de que você precisa. Mas o público hoje é muito mais velho… todo mundo vai achar que estou criticando Expedition 33 agora, mas definitivamente não é o caso”.
Não há dúvida de que há um grupo de fãs de RPG que concordaria com a avaliação de Klima. A questão, porém, permanece: por quê? O desenvolvedor acredita que a culpa é da dependência de estratégias e conceitos que deram certo no passado, afirmando que as grandes distribuidoras são “especialistas em reciclar a mesma fórmula repetidamente”.
A Ubisoft é um dos exemplos mais concretos que lhe vieram à mente. Ele considerou o “trabalho manual” dos jogos da empresa “excelente”, destacando que os títulos são, em sua maioria, livres de bugs e apresentam animações e modelos de personagens de destaque. Klima preferiria que esse mesmo nível de trabalho fosse aplicado a ideias mais inovadoras, mesmo que não tenha “nenhuma resposta fácil” para uma empresa que poderia estar assumindo riscos financeiros ao fazer experiências nesse nível.
“Joguei Assassin’s Creed original, Far Cry original, Watch Dogs original e a maioria desses jogos em suas primeiras versões, e foi divertido”, acrescentou ele. “Mas quando você joga o mesmo jogo pela décima vez, acaba ficando meio sem graça”.
Inscreva-se no canal do IGN Brasil no YouTube e visite as nossas páginas no Facebook, Twitter, BlueSky, Threads, Instagram e Twitch!


