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Retrogamer Brasil15/10/2026por Luciano Rocha (Lu)

BGS 2026 – A Verdade

BGS 2026 – A Verdade
Notícias BGS 2026 – A Verdade

A BGS 2026 deixou claro logo na entrada: o evento encolheu. Depois de anos no Expo Center Norte, a feira segue no Anhembi (mudança iniciada em 2025), agora ocupando um espaço menor e com uma lista de expositores visivelmente mais curta. O resultado apareceu primeiro nas filas e nos corredores, e depois nas redes: reclamações sobre menos estandes, menos ativações e uma sensação de “falta do que ver” para quem vinha acostumado à escala de outras edições. Entre posts, vídeos e relatos de quem comprou ingresso esperando a mesma vitrine de antes, a pergunta que domina a cobertura é direta: o que aconteceu com a BGS — e o que isso diz sobre o momento das feiras de games no Brasil?

Nossa repórter @soora_cos se preparando para entrar em cena e ao mesmo tempo fazendo uma transmissão ao vivo.Luciano RochaDivulgação: Este site pode conter links de afiliados, o que significa que posso ganhar uma comissão se você clicar no link e fizer uma compra. Eu recomendo apenas produtos ou serviços que uso pessoalmente e acredito que agregarão valor aos meus leitores. Agradeço o seu apoio! Compartilhar

A Retrogamer Brasil, mais um ano esteve presente na Brasil Game Show. Este que é um dos maiores eventos de gamer do Brasil, disputando diretamente com a recém chegada gamescom latam, e indiretamente com outras gigantes como a CCXP.

Conteúdo

Navegando por alguns sites e por algumas plataformas sociais, como TikTok e Instragram, vemos ínúmeros videos de críticas ao eventos. Claro que alguns visitantes da BGS são exagerados e soltam o verbo, e outros preferem ser mais racionais e modestos na sua analise sobre o evento. Teve gente que amou, teve gente que odiou. Teve visitante recorrente e teve visitante estreante.

Indepentende da opinião alheia, a Retrogamer Brasil, presente no evento, sente-se na obrigação de fazer uma breve análise sobre o evento em si e claro, inevitavelmente fazer comparações com as edições anteriores.

O primeiro ponto a ser questionado, e acredito que é o mais importante é: a mudança de local e principalmente de tamanho.

Desde 2025, a BGS mudou do “Expo Center Norte” para o Anhembi. Tecnicamente Anhembi é muito maior, mas a área ocupada pelo evento é menor. Talvez pelo valor do metro quadrado maior? não sabemos.

Mapa da Feira de 2022 (fonte BGS)
Mapa BGS 2026 – Fonte BGS

É inevitável não bater os olhos nas duas imagens acima e não fazer comparação. Claro que os dois mapas não estão na mesma escala, mas sim, o esp[aço diminuiu consideralvelmente. E essa foi uma das principais reclamações dos fãs.

Além da redução no espaço físico, percebemos também a redução drástica no número de expositores. Grandes marcas ligadas a games como streamers YouTube, Twitch, TikTok, desenvolvedoras/produtoras como a HoYoverse (de Genshin Impact), Sony, Microsoft, AMD e empresas/lojas de tecnologia, como TCL, Fast Shop e outras que poderiam ter ênfase em games.

BGS 2026 menor no Anhembi: o que aconteceu — e o que isso diz sobre as feiras de games no Brasil

A BGS 2026 deixou claro logo na entrada: o evento encolheu. Depois de anos no Expo Center Norte, a feira segue no Anhembi (mudança iniciada em 2025), agora ocupando um espaço menor e com uma lista de expositores visivelmente mais curta. Para muita gente, a constatação veio antes mesmo de ver o primeiro estande: filas que andaram rápido demais para um sábado “clássico de BGS”, corredores que davam a volta em menos tempo, e a sensação de que faltava aquele “miolo” de atrações que preenchia um dia inteiro sem esforço.

Na sequência, veio o segundo termômetro: as redes. Em posts e vídeos, repetiu-se a mesma crítica — menos estandes, menos ativações, menos coisas para fazer. Quem comprou ingresso esperando a vitrine de outras edições (principalmente as de pico, quando havia mais marcas internacionais e áreas gigantescas de demonstração) se perguntou se a BGS perdeu tração ou se o cenário mudou. A resposta mais honesta tende a ser a segunda: a feira está menor, mas a causa não é um único erro de rota. É um conjunto de pressões — econômicas, corporativas e culturais — que atingiu eventos presenciais no mundo todo e, no Brasil, bate mais forte por um motivo simples: aqui o investimento é mais sensível a qualquer oscilação.

A mudança de escala não é só “menos estandes”: é menos orçamento de risco

Feira de games é, acima de tudo, orçamento de marketing convertido em espaço físico. E orçamento de marketing, em 2026, é uma peça que as empresas mexem com cuidado cirúrgico. Quando a economia está incerta, o dinheiro que iria para “construir estande + levar equipe + logística + ativações + brindes + cachês de influenciadores + estoque de demo” vira a primeira linha a ser enxugada — porque é cara, é complexa e o retorno é mais difícil de medir do que mídia digital.

Retrogamer Brasil sempre presente.

Isso ajuda a explicar por que o público percebe “falta do que ver” mesmo quando há conteúdo no palco, campeonatos e convidados. O que dá a sensação de grandeza não é só a programação: é a densidade de marcas e áreas hands-on. Sem isso, o evento pode até ter agenda cheia, mas o chão de feira fica “vazio” no olhar de quem compara com anos em que havia mais fabricantes, mais publishers e mais estúdios bancando experiência de primeira linha.

No Brasil, essa cautela é amplificada por fatores conhecidos de quem acompanha o mercado: custo de importação, variação de câmbio, imprevisibilidade de demanda e dificuldade de justificar investimento grande em um país onde vender hardware e software com margem confortável é um desafio constante. Não é uma acusação; é contabilidade.

Por que o Anhembi pesa na percepção

A troca de endereço já muda o “tamanho percebido” mesmo quando a área total não é discutida publicamente com clareza. O Expo Center Norte, por anos, foi associado à BGS em sua fase de maior escala. A ida para o Anhembi (iniciada em 2025) traz outra dinâmica: circulação, entry points, desenho de pavilhões e a forma como o público “lê” o espaço.

Em 2026, com uma ocupação menor, isso aparece rápido: menos distância entre entradas e áreas principais, menos “descobertas” ao andar, menos necessidade de planejar rota. Para o visitante que vinha acostumado a passar o dia atravessando pavilhões e “esbarrando” em ativações, a experiência muda de categoria: parece mais um evento segmentado do que uma grande vitrine anual.

Isso não significa que o Anhembi seja o problema em si. A questão é que, com menos expositores, qualquer espaço vira um amplificador de sensação. Um evento grande “preenche” qualquer pavilhão; um evento em retração deixa mais evidente a retração.

O que mudou no jogo das empresas: menos feira, mais campanha contínua

A BGS cresceu num período em que feira era uma das poucas maneiras de concentrar anúncio, demo e mídia no mesmo lugar. Hoje, publishers e fabricantes têm alternativas mais baratas e controláveis: transmissão própria, parcerias com criadores, drops em plataformas, eventos menores por convite, roadshows regionais e ativações em varejo. Em vez de apostar alto uma vez por ano, muitas marcas preferem investir em “picos” distribuídos ao longo do calendário — e com métricas mais fáceis de apresentar internamente.

Some a isso o fato de que o público também mudou o modo de consumir novidade. Antes, a feira era “onde você via”. Hoje, o trailer sai online e a análise sai em minutos. Para o visitante, o valor do ingresso passa a depender menos de “ver em primeira mão” e mais de “jogar de fato”, encontrar gente, participar de campeonato, comprar item físico, assistir painel bom, pegar autógrafo — ou seja, atividades que exigem estrutura e custo. Quando o investimento cai, essas áreas são as primeiras a perder volume.

@tarsismarim como Mr. Bison / Vega – Cosplay ainda em alta – Foto: Luciano Rocha

Ainda assim, reduzir não é sinônimo de fracasso

É tentador interpretar 2026 como um “declínio inevitável”, mas isso simplifica demais. Eventos passam por ciclos. A BGS é uma operação grande, com contratos, montagem, fornecedores, patrocínios e uma equação financeira que não perdoa ano ruim. Em momentos de incerteza econômica, a escolha pode ser encolher para manter o evento de pé — e não esticar a corda até comprometer a viabilidade.

Há também um ponto que o público costuma ignorar: feira menor pode significar experiência melhor em aspectos específicos. Menos fila para jogar, menos esmagamento em corredores, mais chance de parar e conversar com desenvolvedor indie, mais conforto para quem vai com família. O problema é que isso só vira “vantagem” quando o evento compensa a redução de escala com curadoria e densidade de conteúdo — e em 2026 a impressão geral é que essa compensação não foi suficiente para quem esperava a BGS “modo vitrine máxima”.

O que a edição 2026 sinaliza sobre o Brasil: investimento travado e risco alto

A leitura mais útil do encolhimento não é “a BGS ficou pior”, e sim “o apetite de investimento diminuiu”. No Brasil, o setor de games é grande em público, mas difícil em margem. Quando a economia aperta, empresas internacionais priorizam mercados onde a conversão em vendas é mais direta. Marcas locais também ficam mais conservadoras: patrocinar área gigante em feira compete com mídia online, com promoções no varejo, com campanhas de performance.

Esse cenário não é exclusivo de games. Feiras de outros segmentos também têm vivido ajustes, renegociação de espaços e foco em formatos mais eficientes. O que muda nos games é que o público compara com uma memória muito específica: o período em que a BGS parecia “obrigatória” para qualquer marca que quisesse falar com jogador brasileiro presencialmente.

O que pode fazer a BGS voltar a crescer (sem depender de milagre)

Para voltar a ganhar escala, a BGS precisa de dois movimentos que não dependem só de vontade:

  1. Confiança de investimento: com economia mais previsível, empresas voltam a assumir custo grande com antecedência. Feira se planeja com muitos meses de margem; sem previsibilidade, marca segura até o último minuto — e o evento perde volume.
  2. Proposta clara para expositores: a feira precisa oferecer retorno mensurável e formatos de participação que não exijam estande milionário para fazer sentido. Pacotes para indies, áreas compartilhadas, ativações modulares e parcerias com varejo e plataformas podem preencher o chão sem inflar custo.

Do lado do público, a lição é direta: vale calibrar expectativa. Se a edição está menor, o “valor do ingresso” muda de eixo. Em vez de ir esperando uma avalanche de lançamentos AAA, faz mais sentido buscar o que ainda é insubstituível presencialmente: jogar coisas que não chegam fácil, falar com dev, ver hardware de perto, acompanhar finais, comprar físico, encontrar gente.

Um evento menor hoje não impede um evento maior amanhã

A BGS 2026 foi um retrato de um momento: menos espaço, menos expositores e uma sensação de que o evento perdeu densidade. Mas isso não precisa ser um veredito. Em um país onde a economia oscila e o investimento em marketing é extremamente sensível, encolher pode ser estratégia de sobrevivência — e sobrevivência mantém a roda girando até o ciclo virar.

Se a confiança volta, o câmbio estabiliza e as empresas conseguem planejar com menos medo, o dinheiro reaparece — e com ele voltam os estandes grandes, as ativações caras e o tipo de “chão de feira” que o público associa à BGS no seu auge. A edição de 2026 não é a festa que muita gente esperava. Mas também não precisa ser tratada como fim de linha. É ajuste. E ajuste, em evento grande, às vezes é o que permite que o próximo passo seja para cima.

Por isso, nos vemos na BGS27 !

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